2018
Legionella? Não, obrigado!
Legionella? Não, obrigado!
A Legionella é uma bactéria amplamente distribuída, capaz de sobreviver em condições ambientais hostis por longos períodos, facto que facilita a sua disseminação.
Encontra-se em ambientes aquáticos naturais (como lagos e rios), mas também pode desenvolver-se nos sistemas artificiais de abastecimento de água. Esta bactéria encontra-se preferencialmente na água quente sanitária, nos sistemas de ar condicionado, nas torres de arrefecimento, nos condensadores de evaporação, nos humidificadores e em fontes decorativas.
A Legionella pneumophila (em especial do serogrupo 1) é a espécie mais vulgarmente associada ao desenvolvimento de doença, pelo que a deteção de Legionella em amostras de água não significa, obrigatoriamente, risco para a saúde. É necessário avaliar a quantidade de colónias, bem como verificar se está presente a espécie patogénica (L.pneumophilla).
As infeções causadas por Legionella pneumophila incluem, para além da Doença dos Legionários, outras infeções mais difíceis de diagnosticar não associadas a pneumonia, geralmente referenciadas como febre de Pontiac.
Como se transmite….
A infeção transmite-se, essencialmente, por inalação de gotículas de água (aerossóis) contaminadas com bactérias. As gotículas contaminadas podem ser libertadas através do duche ou do ar das torres de arrefecimento, dos aparelhos de ar condicionado, etc. Os pontos de maior disseminação de aerossóis são as torneiras de água quente e fria e os chuveiros, onde pode permanecer durante meses. Estas gotículas de água contaminada transportam a bactéria para os pulmões, depositando-a nos alvéolos pulmonares.
A Legionella não se transmite pela ingestão de água contaminada.
Mais vale prevenir.
A Lei n.º 52/2018 de 20 de agosto “[…] estabelece o regime de prevenção e controlo da doença dos legionários, definindo procedimentos relativos à utilização e à manutenção de redes, sistemas e equipamentos propícios à proliferação e disseminação da Legionella e estipula as bases e condições para a criação de uma estratégia de prevenção primária e controlo da bactéria Legionella em todos os edifícios e estabelecimentos de acesso ao público, independentemente de terem natureza pública ou privada […]”
Para a prevenção da Legionella, as empresas ficam, assim, obrigadas a estabelecer um plano de controlo que deve incluir algumas ações, tais como:
· utilizar apenas água tratada com biocida para prevenir o aparecimento de biofilme - camada viscosa que se deposita nos tubos e depósitos e que favorece o desenvolvimento da Legionella;
· manter em bom estado de conservação tubos, torneiras, depósitos e filtros, evitando incrustações ou corrosões. Em caso de necessidade de substituição, desinfetar com biocida e purgar antes de utilizar;
· garantir que os sistemas de aquecimento da água atingem temperaturas acima dos 65 ºC nos chuveiros mais distantes dos termoacumuladores e fazer purgas de água quente com alguma frequência;
· as extremidades dos chuveiros devem ser desmontadas e imersas durante várias horas numa solução de lixivia forte (1/2). Repetir este procedimento 3 a 4 vezes por ano ou sempre que se vai utilizar um chuveiro parado há mais de um mês;
· purgar periodicamente as bases/depósitos das torres de arrefecimento e desinfetar com uma solução de água e cloro;
· higienizar, com frequência, os filtros do ar condicionado, incluindo o do carro.
Parte destas medidas são também para praticar em ambiente doméstico! Adicionalmente, em casa, devemos avaliar a qualidade microbiológica das águas de captações privadas propícias à acumulação de biofilme nos depósitos e tubos e, também, evitar a estagnação de água nas canalizações de casas de férias ou desabitadas há muito tempo. Nestes casos, deixe correr a água por uns momentos em todas as torneiras.
Por Engª Laura Silva | Coordenadora do Laboratório Tomaz | laurasilva@laboratoriotomaz.pt
-
Originalmente publicado no Jornal de Leiria
-
Em qualquer posto de colheitas Beatriz Godinho Saúde pode solicitar serviços relacionados com a Segurança e Saúde no Trabalho e com a Segurança Alimentar.
-
Sobre o grupo Beatriz Godinho Saúde:
O grupo Beatriz Godinho Saúde nasceu nos Pousos, junto a Leiria, com a criação do Labeto - Centro de Análises Bioquímicas, em 1974. Com o crescimento da atividade e a confiança dos utentes, adquiriu em 1981 novas instalações e mudou-se para cidade de Leiria. Nas últimas quatro décadas, seguindo uma política de desenvolvimento sustentado, ampliou as suas valências na área da saúde e, hoje, agrega 3 laboratórios de análises clínicas em Leiria, Coimbra e Seia, mais de 150 postos de colheitas, as clínicas Polidiagnóstico em Leiria, Fátima e Marinha Grande, a Clínica Luis Lourenço em Leiria, o Laboratório Tomaz especializado em análises microbiológicas, físico-químicas e veterinárias e a Polidiagnóstico Empresas, dedicada à Segurança e Saúde no Trabalho e à Segurança Alimentar.
